segunda-feira, 17 de dezembro de 2018
quinta-feira, 28 de abril de 2016
Torpedomania
| Comportamento Torpedomania Especialistas alertam para o risco do excesso de trocas de mensagens pelo celular
Renata Cabral
Os especialistas não concordam. O professor de psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUCN Rio), Raphael Zaremba, destaca que é cedo para falar das consequências do uso do SMS para os jovens, mas reconhece as limitações da ferramenta. “Mais de 90% da comunicação humana se dá de forma não verbal, o que dá margem a muitas falhas para quem fala apenas por escrito, por meio de mensagens de texto”, afirma. A funcionária pública Mônica Stilben se impressiona com a capacidade da filha Isabela, 15 anos, vivenciar experiências por SMS. “Ela briga com o namorado sem precisar falar com ele”, surpreende-se. Há alguns meses, Isabela gastou mais do que o pai e a mãe juntos, sendo 90% do valor em mensagens. Hoje, tem um aparelho que não envia torpedos. Para a psicóloga Andrea Jotta, do núcleo de pesquisas de psicologia em informática da PUC-SP, a orientação dos pais é fundamental. “Os adolescentes dão uma importância extrema à vida social e testam limites o tempo todo”, afirma. “Cabe aos adultos instaurar a ordem.” Oferecer planos com minutos controlados, deixar que o jovem pague a conta com sua mesada e conversar de forma franca e não autoritária são alternativas. Mesmo quando não evolui para problemas médicos, a dependência incomoda quem cerca o adolescente. Evanise Espíndola Lemos, mãe de Tamara, 15 anos, conta que é quase impossível desviar a atenção da menina do aparelho. “Ela não se concentra, fica esperando notícias do namorado e das amigas.” Mas a mãe se mantém vigilante. “Estou sempre alerta para não deixar que isso atrapalhe os estudos.” Tamara assume o exagero. “Levo o celular na mão para não perder nenhuma mensagem”, diz. A adolescente confessa que usa o telefone para colar em provas, gasta em dois dias o cartão pré-pago que a mãe compra para durar um mês e iniciou a paquera com o atual namorado graças às mensagens. Ninguém desconhece os benefícios dessa forma de comunicação. Ela é mais barata do que uma ligação e permite um contato instantâneo com um grupo de pessoas. Só não se deve tornar escravo dela. FOTO: MURILLO CONSTANTINO/AG. ISTOÉ. ARTE: FERNANDO BRUM |
sexta-feira, 5 de junho de 2015
A boemia se expande por novos endereços no Rio de Janeiro
A boemia se expande por novos endereços
Após reinar absoluta, Lapa ganha concorrência à altura em outros pontos do Centro, de Botafogo, e até do Méier
POR O GLOBO
01/03/2013 7:00
RIO - Carioca que gosta de exibir crachá de boêmio tem que dar expediente na Lapa, pelo menos uma vez. Bairro com vida noturna intensa, que já foi reduto da malandragem, é famoso por transbordar de gente em busca de diversão, até o dia clarear. É tanto povo que se espalha pelas ruas e por bares, botecos e casas noturnas que a região, revitalizada recentemente, já está pequena para receber tanta alegria. Num movimento quase que natural, amantes da noite do Rio, aos poucos, começam a migrar para outras áreas da cidade, algumas logo ali no Centro, no entorno das praças Quinze, Tiradentes e Mauá. Mas há quem siga outros roteiros, num renovado Botafogo, e até arrisque percorrer uns quilômetros a mais, sentido Méier, um reduto da Zona Norte revigorado após a volta do Imperator.
Idealizador do Circo Voador e figura referência da Lapa, Perfeito Fortuna exagera e diz que a Lapa cresceu mais do que a China, nos últimos dez anos, e contribuiu para o alto astral que se construiu no Rio:
— Nos anos 80, a Lapa foi invadida pelo Circo Voador do rock Brasil. Depois, a juventude carioca conheceu seu casario, o forró, o samba, o chorinho. Nos anos 90 em diante, surgiram o Bar Semente, o Rio Scenarium, os antiquários da Rua do Lavradio. A Lapa virou referência — sentencia Perfeito, que reconhece o crescimento desordenado da região. — É uma quantidade enorme de bares, com calçadas cheias de mesas e cadeiras. As autoridades fecharam ruas para o trânsito, e elas se encheram de camelôs, transformando a região da Mem de Sá, da Joaquim Silva e do casario próximo à Sala Cecilia Meireles num verdadeiro inferno de ilegalidades. Bêbados nada originais falam a mesma língua (chata) em qualquer país do mundo.
Para fugir dessa confusão, basta desviar um pouco da Lapa e pegar um caminho cheio de alternativas no entorno da Praça Quinze. É lá que cariocas e turistas também se divertem em sobrados históricos, alguns deles reformados pelo economista Carlos Lessa e alugados para comerciantes. Eles ficam nas ruas do Rosário, Ouvidor e Mercado, que juntas formam um centro gastronômico. Entusiasta da noite carioca, Lessa vai além e ressalta a importância de outros pontos fervilhantes do Centro:
Botafogo volta ao mapa da boemia
O que ainda falta na Cinelândia tem surgido aos montes em Botafogo: bares e botecos cheios de graça, comida e bebida para todos os gostos e bolsos. Segundo o antropólogo Paulo Thiago de Mello, o bairro sofreu um boom imobiliário e, depois de ser considerado a Zona Norte da Zona Sul, virou uma área nobre, com uma classe média exigente:
— Isso refletiu na noite do bairro, que já era boêmio. Na Rua Nelson Mandela foram abertos bares como o Odorico. Tem o Colarinho, que só vende cervejas sofisticadas. Esse tipo de comércio serve ao novo morador do bairro, que tem desde o lugar bacana até o pé sujo. Tem muito jovem, com menos grana, que para nos bares para comer alguma coisa e beber uma cerveja antes de ir pra noitada — diz Paulo Thiago, acrescentando que os cinemas da região também ajudam a movimentar a área. — As pessoas param nos bares antes e depois do filme.
Assim como a Lapa, Botafogo tem casas que botam samba na programação, como o Boteco Salvação e o Bar du Carvalho. Mas a cidade está aberta a outros ritmos. No Méier, a programação ainda não está definida. Mas, segundo a gestora do Imperator, Aniela Jordan, a área vai bombar:
— Cerca de duas mil pessoas passam pelo Imperator diariamente, pelas três salas de cinema, pelo terraço, pelo teatro. Já percebemos uma mudança na Rua Dias da Cruz, nas lojas. O movimento nos restaurantes aumentou, não ficam mais desertos. Já era uma área de entretenimento e a tendência é crescer ainda mais.
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